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Breve divagação

Não saio de casa há dias, a não ser para coisas prosaicas. E ainda que essas saídas pudessem resultar em prosa, os meus olhos nada viram quando olharam.

Olho pela janela e quase só vejo o céu azul. Quase transparente a esta hora. Preciso caminhar, um longo passeio solitário que me deixe ver. Como Anaïs, O que eu gosto é do ritmo. Começa com regularidade, harmonia, e termina em êxtase. Anda-se até se andar sobre o mundo.

Nestes dias lembro sempre o livro de Peter Handke, A Tarde de um Escritor

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André Kertész , 1969 (fonte aqui)

Eu não durmo

(fonte aqui) Eu não durmo, respiro apenas como a raiz sombria  dos astros: raia a laceração sangrenta,   estancada entre o sexo   e a garganta. Eu nunca   durmo,   com a ferida do meu próprio sono.   Às vezes movo as mãos para suster a luz que salta   da boca. Ou a veia negra que irrompe dessa estrela   selvagem implantada   no meio da carne, como no fundo da noite   o buraco forte   do sangue. A veia que me corta de ponta a ponta,   que arrasta todo o escuro do mundo   para a cabeça. Às vezes mexo os dedos como se as unhas   se alumiassem. (...) Nunca sei onde é a noite: uma sala como uma pálpebra negra separa a barragem da luz que suporta a terra. (...) Herberto Helder , Walpurgisnacht