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Pedaços de mim na fala dos outros #14

Arrojaste o lençol da tua cama Deitaste-te de costas, e esperaste; Dormiste, e a noite revelou-te As milhentas sórdidas imagens De que a tua alma era formada; Voltejaram tontas contra o tecto. E quando o mundo todo regressou E a luz se infiltrou entre as portadas, E ouviste os pardais pelas sarjetas. Tiveste uma visão da tua rua Que a própria tua rua não reconheceria; Sentada na borda da cama, onde Tiraste os papelotes do cabelo Ou pegaste nas plantas amarelas dos teus pés Com as palmas sujas das mãos ambas.   T. S. Eliot , in Antologia Poética Da estranha sensação que se sente quando nos vemos num poema como se ao espelho fosse.