Não sou essencialmente cerebral, nem sequer uma pessoa muito racional. Sigo muito mais um fio intuitivo, espontâneo, emocional, do que aquele que o meu pensamento, por vezes demasiado insistente, me fornece. Mas a minha parte mental tem um peso capital em mim. Tenho consciência que tudo deriva dela, tudo nela nasce. Aquilo que apreendo é alimento necessário, ponto de partida para tudo o resto. Se a minha mente não for estimulada, nada mais se acende em mim. A não ser talvez uma fraca luz de emergência. O meu pensamento é o passado da minha emoção futura. Se isto fizer sentido para alguém. É uma mistura quase completamente indestrinçável. Talvez então seja por isso que tenha gostado tanto do ensaio de Paul Valéry no final do seu O Cemitério Marinho , quanto do poema em sim. Acho que me revi um bocadinho, diferenças (e dimensões) à parte. Fascina-me a ideia da obra nunca acabada, pelo trabalho em si, e por ser reflexo provavelmente mais verdadeiro do autor. Ser ela própria...