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A mostrar mensagens com a etiqueta pedaços de mim

Pedaços de mim na fala dos outros #39

a parte do teu corpo que procura pelo sol como os gatos pela casa a parte que permanece imóvel quando cantas, aquela que se move quando estás parado a parte que apenas a mim e de relance, por descuido revelaste a parte onde guardas as memórias de infância, a parte que ainda anseia pelo futuro a parte que demora a acordar depois que acordaste a parte que discorda ainda de mim quando já cedeste aquela que adere mais fortemente ao teu nome a parte que guarda silêncio enquanto falas a parte que quando estás cansado ainda não se cansou a parte ainda noturna quando é dia, diurna quando é noite a parte que tem parte com o mar Ana Martins Marques

Pedaços de mim na fala dos outros #38

As minhas palavras As minhas palavras despi-as até elas me ficarem respirando nuas debaixo da língua. Volto-as cuspo-as sugo-as sopro-as estico-as dos pés à cabeça estendo-as Faço-as grandes como uma nave lunar e pequenas como uma criança. Procuro em toda a parte a linha que me diga onde me posso encontrar. Ulla Hahn , in A Sede entre os Limites

Pedaços de mim na fala dos outros #27

Faz tempo que não escrevo, mas não é pelo silêncio. Não tenho nenhum êxito há dias. Encontrei um paredão para o qual não tenho ferramenta s. Tenho anotado mentalmente todo um plano de destruição da pedra. Mas ela acaba por me anular na manhã seguinte. Prefiro não deixar rastros. Algo me diz que tenho medo de dar cabo à pedra e, tendo resolvido, outro poema aparecer. Ou o fim da pedra será o fim de mim. As explosões de nada adiantam. Misturo-me ao suor granítico. Estou tão insegura. Como se não conhecesse o leite. E outras coisas vitais. Júlia de Carvalho Hansen , in  O Túnel e o Acordeom: Diário Fóssil Encontrado Após a Explosão

Pedaços de mim na fala dos outros #24

Recado #22 (Pedaços de mim na fala dos outros #23)

 Porque não escreves? Quando ontem me fizeram esta pergunta, apercebi-me de como ela me é repetida de tempos a tempos por uma pessoa diferente, como um eco. A minha resposta é vaga ou silenciosa, denota provavelmente insegurança. Mas o que se responde a uma pergunta destas? Diz-se que não se tem jeito, que lemos o suficiente para nos apercebermos de que não sabemos escrever... Que está tudo escrito, que hoje o que fazemos são apenas adaptações... Que não se tem vida suficiente. Mas e isso importa? Melhor seria deixar de lado as constantes e impeditivas racionalizações e somente escrever. Pensa antes nisto: I began typing, not with the idea of writing a formal poem, but stating my imaginative sympathies, whatever they were worth. As my loves were impractical and my thoughts relatively unworldly, I had nothing to gain, only the pleasure of enjoying on paper those sympathies most intimate to myself and most awkward in the great world of family, formal education, bus...

Pedaços de mim na fala dos outros #21

Jorge Fallorca , in Longe do Mundo frenesi, maio de 2004