O problema é que por vezes, não há o que falar. Ficas a olhar a folha verde tenro que apareceu nos dias em que estiveste fora, e calas-te, como se para a ouvir falar-te em silêncio. (Silêncio, sempre o silêncio. Lugar onde se guardam as palavras-tesouro .) E tudo parece demasiado - as palavras que ouves nas conversas da rua e as que respondes; as palavras que ouves e lês na informação saturada das redes sociais, nos jornais, noticiários, colunas de opinião, na vaidade alheia. Parece que apenas os livros te dão uma sensação de segurança e conforto, o último lugar onde a fala ainda diz . Mas as próprias palavras já se diluíram no tempo. Ou melhor, sob os passos dos milhões de vozes que as usaram, que as misturaram com outras, as modificaram, as interpretaram traindo-as. E queres desdobrar-te em degraus pelo passado fora, ao estilo da Verónica de Eliade, e entender as palavras antes de terem sido esvaziadas, quando eram vivas e poderosas. Porque pensas como o mago que Quig...