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Das palavras #2

Sempre me pareceu que há no dicionário muitíssimas palavras para exprimir de forma decente os meus desejos que rodam à volta de um objecto que roda à volta deles, como se a pedra caída na água girasse à volta dos círculos que ela própria originou. No fundo, tudo ali se reencontra. Todas as palavras estão na natureza. Paul Éluard , in Brincadeiras Vagas a Boneca

Das palavras

Todas as palavras adormeceram em mim. Não ditas, não escritas. Por fazer. À espera da forma, do contorno, da curva , do som, do tom . À espera de saírem em silêncio pelos olhos, pelos dedos; em sussurros pelos lábios, em movimentos pelo corpo. Em desenhos pelo traço do lápis no mover da mão. À espera de serem tecidas na trama do som e silêncio. Adormeceram em mim como sementes. À espera das primeiras chuvas.

Fala da folha

O problema é que por vezes, não há o que falar. Ficas a olhar a folha verde tenro que apareceu nos dias em que estiveste fora, e calas-te, como se para a ouvir falar-te em silêncio. (Silêncio, sempre o silêncio. Lugar onde se guardam as palavras-tesouro .) E tudo parece demasiado - as palavras que ouves nas conversas da rua e as que respondes; as palavras que ouves e lês na informação saturada das redes sociais, nos jornais, noticiários, colunas de opinião, na vaidade alheia. Parece que apenas os livros te dão uma sensação de segurança e conforto, o último lugar onde a fala ainda diz . Mas as próprias palavras já se diluíram no tempo. Ou melhor, sob os passos dos milhões de vozes que as usaram, que as misturaram com outras, as modificaram, as interpretaram traindo-as. E queres desdobrar-te em degraus pelo passado fora, ao estilo da Verónica de Eliade, e entender as palavras antes de terem sido esvaziadas, quando eram vivas e poderosas. Porque pensas como o mago que Quig...

Do mau uso que se faz de boas palavras

(Sim, eu sabia que a palavra "foder" se podia usar como um palavrão. Quando a ouvi e li pela primeira vez em  Lady Chatterly , disse ao Hugh que  adorava  a palavra. O Hugh fez uma careta e disse-me como era utilizada normalmente.  Bon .)" Anaïs Nin ,  carta a Henry Miller de 4 de Agosto de 1932