Hoje foi a última vez que subi a calçada para entrar na minha biblioteca. Senhores de reinos invasores tomaram para si o edifício cor-de-rosa onde passei horas da mesma cor. Dizem-me que as coisas mudam, e eu aceito. É uma inevitabilidade da vida, e é bom que exista. Mas a morte de uma biblioteca nunca é uma coisa positiva; e se a palavra parece demasiado forte, ainda assim é como o sinto - e nem preciso percorrer o caminho que fala dos livros que deixam de estar disponíveis aos olhos dos leitores-aprendizes , e que por isso os não vão poder guiar; e muito menos o das políticas que levaram a este fim. Basta-me olhar o edifício que tornava a minha biblioteca tão bonita, e caminhar no soalho que range ecos de quando era uma casa nobre. Basta-me sentar numa das mesas encostadas às janelas de vidros pequenos, por onde a luz parecia entrar suavemente, sem fazer barulho, para ler junto com as pessoas. E saber que foi a última vez. Basta-me ver a tristeza nos rostos dos funcion...