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Do caminho #2

(fonte aqui) O caminho é sempre estreito, o norte é sempre longínquo. Mas embora todos nós caminhemos, poucos de nós viajam. Talvez levássemos uma vida mais preenchida e compreendida, se o fizéssemos. Se tivéssemos a disposição de conhecer o Outro - o outro espaço, o outro tempo, o outro ser. Não é preciso levar a vida de Bashô, apenas ver como ele. Quando Bashô escreve, o tempo já foi abolido, porque ele vê o que permanece, o que veio de ontem, o que ficará amanhã - como tão bem o diz Quignard, produz um curto-circuito . E nesse curto-circuito tudo é ao mesmo tempo (assim como se o aleph estivesse em nós ). São assim os poemas que escreve (e que só poderiam ser haiku ), e é assim o relato da sua viagem. Ao visitar muitos lugares cantados em velhos poemas, quase sempre as colinas se achataram, os rios secaram, os caminhos desapareceram, as pedras se cobriram de hera e árvores novas substituem as velhas e veneráveis. O tempo passa e pass...

Das leituras #2

Guardei para ler Bashô quando estivesse embrenhada no livro de Quignard. Acho que fiz bem. Ambos falam de beleza sem escreverem sobre ela. Ambos escrevem num tempo sobre o que está fora dele. Os haiku de Bashô são instantâneos perfeitos: a imagem de um momento irrepetível captado de tal forma que nos apercebemos da intemporalidade da sua natureza. Quanto tempo em contemplação, procurando talvez palavras como quem procura ouro, escolhendo, polindo, até chegar ao essencial? Há mais silêncio que palavras na poesia de Bashô. Talvez isso o aproxime da beleza - ele não fala sobre ela, mas dela . Admirável aquele cuja vida é um contínuo relâmpago Matsuo Bashô , in O Gosto Solitário do Orvalho