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Poema à noite #3

Agora juntas ao teu peso tudo o que é leve, agora desmascaras o sempre nomeado mas sem nome, agora mandas os martelos- -mecânicos, os fura-sílabas, para debaixo do esporão daquele que te leva a saltar para o outro lado da ardilosa madeira da sebe, agora escreves. Paul Celan , in A Morte é uma Flor

Poema à noite

Ela penteia o seu cabelo como se penteia o dos mortos: traz os cacos azuis debaixo da camisa. Traz os cacos do mundo num cordão. Ela sabe as palavras mas limita-se a sorrir. Mistura o seu sorriso no cálice de vinho: tens de o beber, para estar no mundo. Tu és a imagem que os cacos lhe mostram quando ela, pensativa, se inclina sobre a vida. Paul Celan