61. LAMENTAÇÕES CIGANAS Estas alamedas fazem parte de uma das muitas metrópoles da Europa em plena decadência ou já mortas. Talvez seja Viena, que já o era desde há muito tempo. Não há tráfego e os ruídos do trabalho são raros. À tarde, os habitantes saem, sobretudo para frequentar confeitarias. Velhos violinistas entoam lamentações ciganas num qualquer lugar. Nada mais interessa. As salas de cinema estão vazias. Fotografias de actores expostas dentro de montras fechadas sem mercadoria. Às vezes, pressentem-se lojas desertas, com densas camadas de pó por todo o lado. Dizia Nisemback ter visto, há alguns anos, numa loja abandonada por um judeu emigrado para o Canadá, um despertador que assinala a hora exacta, não obstante se tratar de um instrumento de corda curta. E não há nenhum sinal sobre o pó que permita suspeitar que alguém vá, secretamente, dar-lhe corda. 62. A COR DO TEMPO O convento tinha a forma de uma margarida. Desprendendo-se de uma torre cilíndric...