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O que é isto, Wislawa?

O mundo é um palco

Impressões do teatro Mais importante na tragédia para mim é o sexto acto: o reviver dos mortos nas cenas de combate, o corrigir das perucas e dos trajes, o arrancar da faca do coração, o retirar da corda do pescoço, o enfileirar ao lados dos vivos de cara voltada para o público. As reverências um a um e em conjunto: a mão branca na ferida do coração, a respiração da suicida, a cabeça cortada que se inclina. As reverências aos pares: a ira dá a mão à suavidade, olha afável a vítima nos olhos o verdugo, tropeça sem rancor o rebelde ao lado do tirano. O pisar da eternidade pela biqueira dourada da botina. O dispersar das morais pela aba do chapéu. A incorrigível prontidão de tudo reatar no dia seguinte. A entrada em procissão dos mortos muito antes, no terceiro acto,no quarto ou nos entreactos. O mágico regresso dos desaparecidos sem notícia. Pensar que esperaram nos bastidores, sem impaciência, sem tirarem as vestes, lavar as maquilhagens, emociona-me mais ...

Elevação

Grande sorte é Grande sorte é não se saber exactamente em que mundo se vive. Seria necessária uma existência longuíssima, decididamente mais longa que a do próprio mundo. Ao menos para comparar conhecermos outros mundos. Erguermo-nos para lá do corpo que nada sabe fazer tão bem como limitar  e criar obstáculos. A bem das pesquisas, da clareza da imagem e das conclusões finais, elevarmo-nos para lá do tempo, no qual tudo em turbilhão se precipita. Nesta perspectiva, desistam para sempre de detalhes e episódios. Contar os dias da semana deveria parecer um acto sem sentido, pôr uma carta no correio, capricho de louca mocidade, a tabuleta «não pisar a relva», uma tabuleta estúpida. Wislawa Szymborska

I would prefer to

Terminei a leitura de Bartleby , de Melville. Livro pequeno com um mundo (a humanidade) dentro. Bartleby, carta perdida que chegou quando não havia mais o lugar para onde chegar. (Que lugar é o teu, quando não tens para onde ir?...) Bartleby prefere não o fazer, mas a sua liberdade é vazia e pálida como ele mesmo. Eu prefiro fazê-lo. E contraponho: Possibilities I prefer movies. I prefer cats. I prefer the oaks along the Warta. I prefer Dickens to Dostoyevsky. I prefer myself liking people to myself loving mankind. I prefer keeping a needle and thread on hand, just in case. I prefer the color green. I prefer not to maintain that reason is to blame for everything. I prefer exceptions. I prefer to leave early. I prefer talking to doctors about something else. I prefer the old fine-lined illustrations. I prefer the absurdity of writing poems to the absurdity of not writing poems. I prefer, where love's concerned, nonspecific anniversaries that can be celebrated every day. I ...