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Das palavras

Todas as palavras adormeceram em mim.
Não ditas, não escritas. Por fazer.
À espera da forma, do contorno, da curva, do som, do tom. À espera de saírem em silêncio pelos olhos, pelos dedos; em sussurros pelos lábios, em movimentos pelo corpo. Em desenhos pelo traço do lápis no mover da mão.
À espera de serem tecidas na trama do som e silêncio.

Adormeceram em mim como sementes. À espera das primeiras chuvas.

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André Kertész , 1969 (fonte aqui)

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(fonte aqui) Eu não durmo, respiro apenas como a raiz sombria  dos astros: raia a laceração sangrenta,   estancada entre o sexo   e a garganta. Eu nunca   durmo,   com a ferida do meu próprio sono.   Às vezes movo as mãos para suster a luz que salta   da boca. Ou a veia negra que irrompe dessa estrela   selvagem implantada   no meio da carne, como no fundo da noite   o buraco forte   do sangue. A veia que me corta de ponta a ponta,   que arrasta todo o escuro do mundo   para a cabeça. Às vezes mexo os dedos como se as unhas   se alumiassem. (...) Nunca sei onde é a noite: uma sala como uma pálpebra negra separa a barragem da luz que suporta a terra. (...) Herberto Helder , Walpurgisnacht