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Do meu calendário #2


(fonte aqui)



A noite mais longa de onde nasce a luz.
O eterno retorno que da morte traz renascimento, tornando uma equivalente ao outro; duas faces da mesma moeda.

A minha celebração.


(...) E entre a vida e a morte não havia fronteira nem limite, a morte era outra face da vida, uma outra dimensão mais fascinante.

Teolinda Gersão, in Os guarda-chuvas cintilantes



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André Kertész , 1969 (fonte aqui)

Eu não durmo

(fonte aqui) Eu não durmo, respiro apenas como a raiz sombria  dos astros: raia a laceração sangrenta,   estancada entre o sexo   e a garganta. Eu nunca   durmo,   com a ferida do meu próprio sono.   Às vezes movo as mãos para suster a luz que salta   da boca. Ou a veia negra que irrompe dessa estrela   selvagem implantada   no meio da carne, como no fundo da noite   o buraco forte   do sangue. A veia que me corta de ponta a ponta,   que arrasta todo o escuro do mundo   para a cabeça. Às vezes mexo os dedos como se as unhas   se alumiassem. (...) Nunca sei onde é a noite: uma sala como uma pálpebra negra separa a barragem da luz que suporta a terra. (...) Herberto Helder , Walpurgisnacht