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Poema à noite # 21

22

Somos quem se apresse.
Do tempo a passada
tomai-a por nada
no que permanece.

Tudo o que acelera
foi depressa e vão,
no que fica espera
nossa iniciação.

Ao tentardes voo,
juvenil ardor
não gasteis em vão.

Tudo repousou:
o livro e a flor,
luz e escuridão.


Rainer Maria Rilke, in Os Sonetos a Orfeu

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André Kertész , 1969 (fonte aqui)

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(fonte aqui) Eu não durmo, respiro apenas como a raiz sombria  dos astros: raia a laceração sangrenta,   estancada entre o sexo   e a garganta. Eu nunca   durmo,   com a ferida do meu próprio sono.   Às vezes movo as mãos para suster a luz que salta   da boca. Ou a veia negra que irrompe dessa estrela   selvagem implantada   no meio da carne, como no fundo da noite   o buraco forte   do sangue. A veia que me corta de ponta a ponta,   que arrasta todo o escuro do mundo   para a cabeça. Às vezes mexo os dedos como se as unhas   se alumiassem. (...) Nunca sei onde é a noite: uma sala como uma pálpebra negra separa a barragem da luz que suporta a terra. (...) Herberto Helder , Walpurgisnacht