Avançar para o conteúdo principal

Poema à noite #19

um sorriso que desliza
do rosto para o resto
do corpo em cada
célula criando raiz
um corpo que extravasa
a pele que já não cabe nela
por todos os poros jorra
na esplanada a bondade
exposta de súbita derrota
os argumentos impostos
as evidências torpes
as razões dos mais fortes
desarmado-lhes a vista
arrebatando-os à vez




Bénédicte Houart, in Vida: Variações III

Comentários

Mensagens populares deste blogue

On reading

André Kertész , 1969 (fonte aqui)

Eu não durmo

(fonte aqui) Eu não durmo, respiro apenas como a raiz sombria  dos astros: raia a laceração sangrenta,   estancada entre o sexo   e a garganta. Eu nunca   durmo,   com a ferida do meu próprio sono.   Às vezes movo as mãos para suster a luz que salta   da boca. Ou a veia negra que irrompe dessa estrela   selvagem implantada   no meio da carne, como no fundo da noite   o buraco forte   do sangue. A veia que me corta de ponta a ponta,   que arrasta todo o escuro do mundo   para a cabeça. Às vezes mexo os dedos como se as unhas   se alumiassem. (...) Nunca sei onde é a noite: uma sala como uma pálpebra negra separa a barragem da luz que suporta a terra. (...) Herberto Helder , Walpurgisnacht