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Imagem terrível

É Rainer Maria Rilke quem, mais tarde, dará as mais belas e pertinentes expressões - tão materiais quanto possível, tão psíquicas quanto possível - de todos esses fenómenos; falará da paisagem em termos de reaparição e de «acção terrível e opressiva»; definirá a atmosfera em termos de contacto à distância: reconhecerá que na grisalha, nada é mais insignificante ou inútil, tudo conta, tudo participa; evocará a existência do terrível em cada parcela de ar, qualquer coisa que se respira com a sua transparência e da qual apenas os sonhos são capazes de traçar o desenho. O sopro indistinto da imagem.

Didi Huberman, in Falenas


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André Kertész , 1969 (fonte aqui)

Eu não durmo

(fonte aqui) Eu não durmo, respiro apenas como a raiz sombria  dos astros: raia a laceração sangrenta,   estancada entre o sexo   e a garganta. Eu nunca   durmo,   com a ferida do meu próprio sono.   Às vezes movo as mãos para suster a luz que salta   da boca. Ou a veia negra que irrompe dessa estrela   selvagem implantada   no meio da carne, como no fundo da noite   o buraco forte   do sangue. A veia que me corta de ponta a ponta,   que arrasta todo o escuro do mundo   para a cabeça. Às vezes mexo os dedos como se as unhas   se alumiassem. (...) Nunca sei onde é a noite: uma sala como uma pálpebra negra separa a barragem da luz que suporta a terra. (...) Herberto Helder , Walpurgisnacht