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Isto:


Na Europa, e com especial incidência nos Estados Unidos, proliferam inúmeras organizações que nada têm de hinduístas. Não passam efectivamente de uma moda, já em franca decadência, e que só contribuem para o lamentável equívoco de confundir Sanátana-Dharma com religião, moral, sentimentalismo, etc., e de Yôga com exercícios de relaxamento, ginástica terapêutica, desportiva, etc., noções completamente estranhas à tradição iniciática e primordialmente intelectual, que constitui o Hinduísmo.
(...)
O Hinduísmo, ou melhor, na sua autêntica designação, Sanátana-Dharma, não é uma religião. A religião comporta essencialmente o agrupamento de três elementos: um dogma, uma moral e um culto. Em Sanátana-Dharma não há nenhum dogma: há um Conhecimento a adquirir; não há propriamente moral mas dharma, conformidade à sua natureza, que implica obediência e disciplina; e há um culto, sim, mas o seu valor é puramente metafísico, tendo como alvo o Conhecimento, que conduz à Libertação, e não um valor dogmático e moral, que aspira à Salvação.
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António Barahona, na Introdução de Poema do Senhor - Bhagavad Guitá

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André Kertész , 1969 (fonte aqui)

Eu não durmo

(fonte aqui) Eu não durmo, respiro apenas como a raiz sombria  dos astros: raia a laceração sangrenta,   estancada entre o sexo   e a garganta. Eu nunca   durmo,   com a ferida do meu próprio sono.   Às vezes movo as mãos para suster a luz que salta   da boca. Ou a veia negra que irrompe dessa estrela   selvagem implantada   no meio da carne, como no fundo da noite   o buraco forte   do sangue. A veia que me corta de ponta a ponta,   que arrasta todo o escuro do mundo   para a cabeça. Às vezes mexo os dedos como se as unhas   se alumiassem. (...) Nunca sei onde é a noite: uma sala como uma pálpebra negra separa a barragem da luz que suporta a terra. (...) Herberto Helder , Walpurgisnacht