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Pedaços de mim na fala dos outros #17


" (...)
pois outro eu meu se atravessa na Noite ______________ e o meu corpo é um só,
e está só. O que quero dizer é que
antes de adormecer e de entrar no sono, levanto a poeira que me cobre de emoções distantes. ________________ não acendo mais, para dormir, outra luz que não seja a luz da espera. Ela seduz por inteiro o quarto pequeno ____________ absorve-o na noite. E é nessa noite, receptiva às perguntas claras, que eu quero saber _______________ (...)"




Maria Gabriela Llansol, in LISBOALEIPZIG O encontro inesperado do diverso / O ensaio de música

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André Kertész , 1969 (fonte aqui)

Eu não durmo

(fonte aqui) Eu não durmo, respiro apenas como a raiz sombria  dos astros: raia a laceração sangrenta,   estancada entre o sexo   e a garganta. Eu nunca   durmo,   com a ferida do meu próprio sono.   Às vezes movo as mãos para suster a luz que salta   da boca. Ou a veia negra que irrompe dessa estrela   selvagem implantada   no meio da carne, como no fundo da noite   o buraco forte   do sangue. A veia que me corta de ponta a ponta,   que arrasta todo o escuro do mundo   para a cabeça. Às vezes mexo os dedos como se as unhas   se alumiassem. (...) Nunca sei onde é a noite: uma sala como uma pálpebra negra separa a barragem da luz que suporta a terra. (...) Herberto Helder , Walpurgisnacht