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Amora não é nome de fruto

Amora não é nome de fruto.
É nome de menina silvestre, de lábios beijáveis, que viaja numa bicicleta enferrujada e se descobre nos livros que vivem com ela.
Escreve cartas à noite no vento, chora de manhã com o orvalho se não tem resposta.

É tão pequenina que poucos a vêem. Mas ela guarda cada um deles e nunca mais os deita fora.

O tempo da Amora começa a 17 de Junho.


For all the things that you've given me
Will always stay, there broken but I'll never throw them away

Tom Waits, Broken Bicycles

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André Kertész , 1969 (fonte aqui)

Eu não durmo

(fonte aqui) Eu não durmo, respiro apenas como a raiz sombria  dos astros: raia a laceração sangrenta,   estancada entre o sexo   e a garganta. Eu nunca   durmo,   com a ferida do meu próprio sono.   Às vezes movo as mãos para suster a luz que salta   da boca. Ou a veia negra que irrompe dessa estrela   selvagem implantada   no meio da carne, como no fundo da noite   o buraco forte   do sangue. A veia que me corta de ponta a ponta,   que arrasta todo o escuro do mundo   para a cabeça. Às vezes mexo os dedos como se as unhas   se alumiassem. (...) Nunca sei onde é a noite: uma sala como uma pálpebra negra separa a barragem da luz que suporta a terra. (...) Herberto Helder , Walpurgisnacht