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Instantâneo #11

Sentada como o lótus, não se deseja mais do que o que se tem.
A brisa na pele e no cabelo, e uma profunda ausência da necessidade de abrir os olhos. Tudo está preenchido.
De repente o vento pára. Como se me contornasse; só o ouço ao longe nas árvores.
O círculo fecha-se.

Quando finalmente os olhos se abrem, a brisa regressa. Regressa a terra castanha, a serra rosada ao fundo, as árvores erguidas para o céu transparente, os pássaros a esvoaçarem nos galhos - mas não parece um regresso, antes uma criação nunca vista.
E a luz.  Os olhos enamoram-se dela; é ela que faz querer ficar.

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André Kertész , 1969 (fonte aqui)

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(fonte aqui) Eu não durmo, respiro apenas como a raiz sombria  dos astros: raia a laceração sangrenta,   estancada entre o sexo   e a garganta. Eu nunca   durmo,   com a ferida do meu próprio sono.   Às vezes movo as mãos para suster a luz que salta   da boca. Ou a veia negra que irrompe dessa estrela   selvagem implantada   no meio da carne, como no fundo da noite   o buraco forte   do sangue. A veia que me corta de ponta a ponta,   que arrasta todo o escuro do mundo   para a cabeça. Às vezes mexo os dedos como se as unhas   se alumiassem. (...) Nunca sei onde é a noite: uma sala como uma pálpebra negra separa a barragem da luz que suporta a terra. (...) Herberto Helder , Walpurgisnacht