Avançar para o conteúdo principal

Instantâneo #10

Um pássaro veio e pousou no parapeito da minha janela. Do lado de fora olhou para mim, dentro do vidro.
A cabeça pequenina mudava de posição como um ponteiro de relógio a passar minutos; olhava-me de todos os ângulos como se não estivesse a entender. Que fazes aí? Porque não voas? Parecia conhecer-me por dentro e não me reconhecer por fora, neste corpo preso ao chão, dentro de uma gaiola de pedra.
Antes de voar olhou-me nos olhos e com eles disse: Transforma-te.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

On reading

André Kertész , 1969 (fonte aqui)

Eu não durmo

(fonte aqui) Eu não durmo, respiro apenas como a raiz sombria  dos astros: raia a laceração sangrenta,   estancada entre o sexo   e a garganta. Eu nunca   durmo,   com a ferida do meu próprio sono.   Às vezes movo as mãos para suster a luz que salta   da boca. Ou a veia negra que irrompe dessa estrela   selvagem implantada   no meio da carne, como no fundo da noite   o buraco forte   do sangue. A veia que me corta de ponta a ponta,   que arrasta todo o escuro do mundo   para a cabeça. Às vezes mexo os dedos como se as unhas   se alumiassem. (...) Nunca sei onde é a noite: uma sala como uma pálpebra negra separa a barragem da luz que suporta a terra. (...) Herberto Helder , Walpurgisnacht