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Sol de Outono

O sol aquece e esquece que estamos em Outubro, e não ainda em Junho. Talvez esteja perdido, talvez seja saudoso, ou então não saiba o que mais fazer (Que sei eu fazer se não alumiar-vos o caminho, aquecer-vos o corpo e dar-vos a ilusão de que o dia irá correr melhor por minha causa?).
Não se espera um sol assim com ambos os pés no Outono.

Hoje desceu um sol de Outono a calçada onde vivo.  Mas em vez do carro de Hélio, vinha de bicicleta, ao som da flauta, o amolador. Sol poente de Outono lembrando o Verão na minha infância, que tal como o outro, não pode deixar de ser o que é.
Mesmo que nestes dias faça tanto sentido ouvir a melodia do amolador quanto sentir o calor deste sol.

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(fonte aqui) Eu não durmo, respiro apenas como a raiz sombria  dos astros: raia a laceração sangrenta,   estancada entre o sexo   e a garganta. Eu nunca   durmo,   com a ferida do meu próprio sono.   Às vezes movo as mãos para suster a luz que salta   da boca. Ou a veia negra que irrompe dessa estrela   selvagem implantada   no meio da carne, como no fundo da noite   o buraco forte   do sangue. A veia que me corta de ponta a ponta,   que arrasta todo o escuro do mundo   para a cabeça. Às vezes mexo os dedos como se as unhas   se alumiassem. (...) Nunca sei onde é a noite: uma sala como uma pálpebra negra separa a barragem da luz que suporta a terra. (...) Herberto Helder , Walpurgisnacht