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O vazio da metamorfose

Jean-Luc Godard, Alphaville, 1965















Pedaço da mulher que fui.
A que era mais nova que esta de agora, mas que por ser passado se tornou velha. Agora a nova sou eu.
A idade não me reflecte, sou demasiadas num só corpo.

Pedaço da mulher que fui, que se cruzou comigo, ao longe.
E o vazio que se torna visível, quando reparamos que a metamorfose se deu.




Nous naissons de partout nous sommes sans limites.

Paul Éluard, Et Notre Mouvement

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André Kertész , 1969 (fonte aqui)

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(fonte aqui) Eu não durmo, respiro apenas como a raiz sombria  dos astros: raia a laceração sangrenta,   estancada entre o sexo   e a garganta. Eu nunca   durmo,   com a ferida do meu próprio sono.   Às vezes movo as mãos para suster a luz que salta   da boca. Ou a veia negra que irrompe dessa estrela   selvagem implantada   no meio da carne, como no fundo da noite   o buraco forte   do sangue. A veia que me corta de ponta a ponta,   que arrasta todo o escuro do mundo   para a cabeça. Às vezes mexo os dedos como se as unhas   se alumiassem. (...) Nunca sei onde é a noite: uma sala como uma pálpebra negra separa a barragem da luz que suporta a terra. (...) Herberto Helder , Walpurgisnacht