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Do meu calendário


O fim do Verão é o início do ano no calendário celta.
Para quem tem enraizado que o começo vem com a chegada da luz, a ideia de que o dia e o ano iniciam na escuridão, parece incompreensível.
Mas não é a partir da noite que se cresce para a luz? Não é na escuridão da terra que a semente começa a crescer?

Começa na noite o dia entre os anos, entre aquele que termina e aquele que virá.
Dia fora do tempo, amorfo, permeável, dia do caos onde tudo se mistura para se refazer.
Dia do meu calendário pessoal.

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(fonte aqui) Eu não durmo, respiro apenas como a raiz sombria  dos astros: raia a laceração sangrenta,   estancada entre o sexo   e a garganta. Eu nunca   durmo,   com a ferida do meu próprio sono.   Às vezes movo as mãos para suster a luz que salta   da boca. Ou a veia negra que irrompe dessa estrela   selvagem implantada   no meio da carne, como no fundo da noite   o buraco forte   do sangue. A veia que me corta de ponta a ponta,   que arrasta todo o escuro do mundo   para a cabeça. Às vezes mexo os dedos como se as unhas   se alumiassem. (...) Nunca sei onde é a noite: uma sala como uma pálpebra negra separa a barragem da luz que suporta a terra. (...) Herberto Helder , Walpurgisnacht