Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Do meu calendário

O fim do Verão é o início do ano no calendário celta. Para quem tem enraizado que o começo vem com a chegada da luz, a ideia de que o dia e o ano iniciam na escuridão, parece incompreensível. Mas não é a partir da noite que se cresce para a luz? Não é na escuridão da terra que a semente começa a crescer? Começa na noite o dia entre os anos, entre aquele que termina e aquele que virá. Dia fora do tempo, amorfo, permeável, dia do caos onde tudo se mistura para se refazer. Dia do meu calendário pessoal.

Do movimento

No princípio, era a dança. Poesia sem palavras.

O vazio da metamorfose

Jean-Luc Godard, Alphaville , 1965 Pedaço da mulher que fui. A que era mais nova que esta de agora, mas que por ser passado se tornou velha. Agora a nova sou eu. A idade não me reflecte, sou demasiadas num só corpo. Pedaço da mulher que fui, que se cruzou comigo, ao longe. E o vazio que se torna visível, quando reparamos que a metamorfose se deu. Nous naissons de partout nous sommes sans limites . Paul Éluard , Et Notre Mouvement

Sol de Outono

O sol aquece e esquece que estamos em Outubro, e não ainda em Junho. Talvez esteja perdido, talvez seja saudoso, ou então não saiba o que mais fazer ( Que sei eu fazer se não alumiar-vos o caminho, aquecer-vos o corpo e dar-vos a ilusão de que o dia irá correr melhor por minha causa? ). Não se espera um sol assim com ambos os pés no Outono. Hoje desceu um sol de Outono a calçada onde vivo.  Mas em vez do carro de Hélio, vinha de bicicleta, ao som da flauta, o amolador. Sol poente de Outono lembrando o Verão na minha infância, que tal como o outro, não pode deixar de ser o que é. Mesmo que nestes dias faça tanto sentido ouvir a melodia do amolador quanto sentir o calor deste sol.