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Instantâneo #16

Está sentado no chão ao lado de um dos cafés da avenida como uma colagem.
Tem um saco azul do lado direito, uma taça amarela à frente. Encostado à parede do prédio, os joelhos levantados a servirem de mesa a um livro de biblioteca que folheia teimosamente sem olhar quem passa. Lê com a boca.
Dir-se-ia que o livro o faz esquecer-se dos outros e impede os outros de o olharem.

Não sei se alguém o vê para além de mim. Parece uma visão, a ocupar um espaço estranho.



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André Kertész , 1969 (fonte aqui)

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(fonte aqui) Eu não durmo, respiro apenas como a raiz sombria  dos astros: raia a laceração sangrenta,   estancada entre o sexo   e a garganta. Eu nunca   durmo,   com a ferida do meu próprio sono.   Às vezes movo as mãos para suster a luz que salta   da boca. Ou a veia negra que irrompe dessa estrela   selvagem implantada   no meio da carne, como no fundo da noite   o buraco forte   do sangue. A veia que me corta de ponta a ponta,   que arrasta todo o escuro do mundo   para a cabeça. Às vezes mexo os dedos como se as unhas   se alumiassem. (...) Nunca sei onde é a noite: uma sala como uma pálpebra negra separa a barragem da luz que suporta a terra. (...) Herberto Helder , Walpurgisnacht