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(parêntesis) #31

Há uma certa insatisfação quando se tem na mão, num único volume, a obra completa de um escritor.
A poesia completa de Luís Miguel Nava cabe num livro de menos de trezentas páginas, e eu não deixo de me perguntar por que caminhos ele seguiria se tivesse continuado a escrever.
O que talvez seja estúpido.

Tenho com Nava, a mesma sensação que tive com Bragança - escrita injustamente esquecida, a ser descoberta por leitores verdadeiros.

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André Kertész , 1969 (fonte aqui)

Eu não durmo

(fonte aqui) Eu não durmo, respiro apenas como a raiz sombria  dos astros: raia a laceração sangrenta,   estancada entre o sexo   e a garganta. Eu nunca   durmo,   com a ferida do meu próprio sono.   Às vezes movo as mãos para suster a luz que salta   da boca. Ou a veia negra que irrompe dessa estrela   selvagem implantada   no meio da carne, como no fundo da noite   o buraco forte   do sangue. A veia que me corta de ponta a ponta,   que arrasta todo o escuro do mundo   para a cabeça. Às vezes mexo os dedos como se as unhas   se alumiassem. (...) Nunca sei onde é a noite: uma sala como uma pálpebra negra separa a barragem da luz que suporta a terra. (...) Herberto Helder , Walpurgisnacht