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Isto:

O prazer físico no acto do amor é como o gozo pela velocidade num corredor das Quinhentas de Indianápolis. O objectivo último é outro, mas não só.
Quando tenho uma relação sexual integralmente triunfante, sinto-me como quem peregrinou ao coração da Terra. O Tempo que pára, essa coisa da noite transformada oh Deus. Vontade de saltar de alegria por estar metida em vida, por haver alteridade e acender dos faróis com que os navios em marcha fazem sinais uns para os outros. Tenho então a sensação de que serei sempre uma criança, o acto sexual conseguido pega em mim como um banheiro de Espinho a mergulhar uma criança nas sucessivas ondas de um oceano que outra coisa não é senão ela própria e tudo.


Nuno Bragança, in Obra Completa 1969-1985

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André Kertész , 1969 (fonte aqui)

Eu não durmo

(fonte aqui) Eu não durmo, respiro apenas como a raiz sombria  dos astros: raia a laceração sangrenta,   estancada entre o sexo   e a garganta. Eu nunca   durmo,   com a ferida do meu próprio sono.   Às vezes movo as mãos para suster a luz que salta   da boca. Ou a veia negra que irrompe dessa estrela   selvagem implantada   no meio da carne, como no fundo da noite   o buraco forte   do sangue. A veia que me corta de ponta a ponta,   que arrasta todo o escuro do mundo   para a cabeça. Às vezes mexo os dedos como se as unhas   se alumiassem. (...) Nunca sei onde é a noite: uma sala como uma pálpebra negra separa a barragem da luz que suporta a terra. (...) Herberto Helder , Walpurgisnacht